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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Brunocos entrevista: Sérgio Britto

foto: Silmara Ciuffa (Divulgação)

Compositor, vocalista, tecladista e também baixista dos Titãs, Sérgio Britto acaba de lançar seu quarto disco solo, intitulado PURABOSSANOVA. O disco, produzido por Emerson Villani e Guilherme Gê, conta com 12 faixas e participações especiais de Rita Lee, Alaíde Costa, Marcela Mangabeira, Luiz Melodia, Roberta Sá, a cantora argentina Eugênia Brusa, além do violonista uruguaio Toto Mendez.
Na entrevista, Britto fala sobre o novo trabalho, as parcerias, os shows, e os próximos passos dos Titãs. Confira!


Você tá lançando o seu novo disco solo, chamado PURABOSSANOVA. Ouvindo o disco entende-se o título, mas o que o levou batizá-lo com esse nome?
O título e capa, a meu ver, devem representar a música que está no disco. Foi esse o pensamento. Essa "PURABOSSANOVA" do título do disco não é "pura". É a minha Bossa Nova, a minha maneira de fazer Bossa Nova.


Achei bem interessante a capa do disco. Qual é o conceito?
Para mim parece uma pintura abstrata, um jogo de cores e formas. Fora isso, sugere o ambiente de praia e sol com tons mais leves. São as cores que representam o Brasil, só que esmaecidas.

Capa do disco 

Rita Lee é a convidada na faixa-título e participa também do videoclipe da música. Como rolou esse convite? Você já tinha o desejo de gravar com ela? 
Fiz o convite pela internet, através do Roberto de Carvalho, que é meu amigo no facebook. Os Titãs já tinham gravado com a Rita Lee no Acústico dela, e ela também tinha participado do nosso. Minha admiração por ela é irrestrita, não imaginei que ela fosse aceitar o convite, até por que ela anda meio reclusa. Mas não conseguia imaginar ninguém mais adequado que ela pra dividir os vocais dessa canção comigo. Fiquei muito feliz com o resultado.


Além da Rita, o disco conta com outras participações especiais, como Alaíde Costa e Luiz Melodia. Qual é a importância dessas participações e como define essas parcerias?
Sempre penso em dois aspectos quando faço os convites. Um puramente musical e outro afetivo. Quando imagino os arranjos, as vozes e interpretações também fazem parte desse processo. Sempre procuro participações que musicalmente acrescentem ao arranjo. Obviamente convido pessoas que admiro e gosto. Há também um um "efeito colateral" muito bem vindo, dessa maneira consigo despertar a atenção para o meu trabalho de pessoas que não fazem parte do meu público, que ainda é basicamente o dos Titãs.

As composições são todas recentes ou você aproveitou alguma antiga?
São todas recentes.

Sérgio Britto e Rita Lee

Você está fazendo alguns shows de lançamento do disco. Pretende circular esse show pelo Brasil?
Gostaria muito de percorrer o Brasil com esse show, mas não será fácil. O problema é o de sempre: custos e a agenda dos Titãs.

O que esperar no repertório desse show?
É uma mistura do PURABOSSANOVA e do SP55 (disco anterior). Toco também algumas composições minhas que fazem parte do repertório dos Titãs, tais como Go Back, Epitáfio, Nem 5 minutos guardados e Diversão. De quebra fazemos um arranjo de Garota de Ipanema que gosto muito.

Vamos falar um pouco de Titãs. Vocês estão com um show focado em canções inéditas. Fale um pouco sobre esse show.
Tocamos 10 músicas inéditas que talvez venham a fazer parte do disco que vamos gravar no começo de 2014.

Como você sente o público recebendo essas músicas “desconhecidas”??
Com curiosidade e atenção.

Sobre a produção do novo disco da banda, pode adiantar algo? Já estão trabalhando nele? Tem previsão de lançamento?
Estamos trabalhando há um bom tempo, mas ainda falta coisa… Nada é definitivo até a hora da gravação.

Para o Sérgio Britto, a vida é... (?)
Uma festa! Rs… Ou, melhor dizendo, às vezes até parece uma.



sábado, 23 de março de 2013

Brunocos entrevista: Clemente Nascimento

Clemente Tadeu Nascimento é considerado um dos pioneiros do punk rock brasileiro.
Em 1981 formou a banda Inocentes, na ativa até hoje. Em paralelo toca guitarra e canta na banda Plebe Rude. Também é apresentador e diretor artístico do programa Showlivre.com.
Confira a entrevista com Clemente - The punk man!


Qual foi a sua maior influência do cenário punk?
Cara, na verdade minhas maiores influências vem do pré-punk: Iggy Pop e os Stooges, MC5, Antônio Bivar, Douglas Viscaíno do Restos de Nada, sei lá, quando o punk chegou eu já estava pronto, mas a influência dos amigos da Vila Carolina foi determinante.

O disco Miséria e Fome (1983), teve 10, das 13 músicas, censuradas. Como foi enfrentar isso logo no primeiro trabalho?
Na verdade nossa reação foi normal. Vivíamos a ditadura militar e isso fazia parte. Seria engraçado se não censurassem nenhuma, a gente teria alguma coisa errada né? Uma banda punk sem nenhuma letra censurada pelo governo militar, seria uma anomalia, rsrsrs. Na verdade censuraram todas, eu dei um "jeitinho" nas letras e conseguimos liberar três, aí lançamos um compacto triplo.

Em 1986, os Inocentes assinaram com a Warner. Como surgiu esse contrato com uma das maiores gravadoras do país?
Nessa época já estávamos fora da cena punk mais radical. Resolvemos seguir um caminho independente. Foi assim com todo mundo, o pessoal do Ratos de Porão foi tocar com o pessoal do Metal, nós fomos pro Rock Paulista, o Cólera deu um tempo e o Redson montou o Rosa Luxemburgo, ou seja, ninguém queria tocar pra aqueles caras que só queria saber de treta e briga de gangue, tanto é que o movimento deu uma arrefecida até vir uma geração que está preocupada com música e atitude.

O início dos anos 90 foi um período turbulento para o rock brasileiro. Como você encarou essa época?
Essa época foi horrível, cheia de bandas covers, ninguém queria saber das bandas da década de 80, aí surgiu uma cena nova calcada na MTV. Fomos voltar a ter sintonia no meio da década de 90, quando a banda chegou a essa formação que dura até hoje: Nonô na Batera, Anselmo Monstro no baixo, Ronaldo na guitarra e eu, aí conseguimos uma unidade sonora e de ideias novamente e os shows ficaram porrada e os discos também.

Falando um pouco sobre o cenário musical hoje no Brasil, como você vê o rock?
Acho que o rock vai bem, nunca se produziu tanto e com tanta qualidade. O problema é que não temos uma industria alternativa como lá fora, que faça com que as bandas consigam sobreviver sendo independentes, salvo algumas exceções, acho que é o detalhe que falta. Eu não me incomodo com as bandas que estão no mainstream, pois essas bandas sempre foram ruins, não sei porque se reclama tanto rsrsrsrs


Clemente em show da Plebe Rude no festival Lollapalooza 2012
















Atualmente você toca com os Inocentes e também com a Plebe Rude. Como aconteceu sua entrada na Plebe?
Cara, foi uma coisa super espontânea. O convite partiu do Philippe (Seabra). Fomos tocar no Kazebre, era um tributo ao Clash inventado pelo Mingau do Ultraje. Fazia uns 20 anos que não tocávamos juntos, bateu uma vibe legal e ele resolveu me convidar, e como eu gosto da Plebe fui na hora.

E os projetos pro futuro?
Nesse momento estamos terminando o novo trabalho do Inocentes um EP com 4 músicas para sair até maio ou junho. A Plebe também está preparando material novo, vai ser porradaria no final de ano rsrsrs.

Da sua discografia, qual é o disco mais representativo pra você?
Eu gosto muito do Adeus Carne que é de 1987 e saiu pela Warner, e o Embalado a Vácuo de 2000. São dois discos muito bons. Na verdade gosto de todos pois cada um representa um momento na minha vida, mas se é para escolher um ou dois...

O que você deixa aí pra moçada que quer viver de música?
DESISTAM!!! Hahaha! Brincadeira, tem que fazer o que está afim de fazer sem se preocupar com mercado e coisa e tal, pois quando se preocupa muito com isso a qualidade das músicas vai pro saco.

Pra terminar: Para o Clemente, a vida é... (?)
A vida é uma piada, de mau gosto, mas é uma piada, tem coisas que não dá pra acreditar, mas é isso "Vida Longa e Morte Súbita!"

Valeu Clemente. Como fã, me sinto honrado por esta entrevista. Sucesso a você. Abraço!
Vamos nessa! Eu é que agradeço pelo espaço. Abraços!


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Brunocos entrevista: João Barone (Paralamas)

João Alberto Barone Reis e Silva nasceu no dia 5 de agosto de 1962, no Rio de Janeiro.
É baterista dos Paralamas do Sucesso, com Bi Ribeiro e Herbert Vianna. Torcedor fanático do Fluminense. Considerado um dos melhores bateristas do Brasil, senão o melhor. Como diz Herbert Vianna: "As baquetas mais velozes da América Latina".
Com vocês: João Barone


Em que momento da sua vida você pensou em ser músico? E porque escolheu tocar bateria?
Foi um desses relances de criança, meu irmão estava ensaiando com sua banda de escola na garagem lá de casa, em '1970 e poucos'. Eu já gostava de rock, especialmente Beatles, aí na hora do lanche, subi na bateria e toquei a batida de Ticket to Ride, do filme Help… daí pra ser reconhecido como baterista na minha escola, foi um pulo. Levei anos até conseguir uma bateria velha que o diretor da escola local me autorizou usar, reformada com peles de couro natural mesmo, era uma beleza! Ainda não tinha nem tocado junto com outros amigos que tinham guitarra e baixo, mas em pouco tempo conseguimos dar umas canjas no intervalo da banda de baile, nos shows para os universitários no clube local, era na Universidade Rural, zona Oeste do Rio, onde morei até conhecer Bi e Herbert, naquela antológica ocasião do festival de música, que todos conhecem a história…

Quais foram suas maiores influências?
Cresci num ambiente mais ou menos assim: ouvia Beatles direto. Ringo, Ringo e Ringo. Mas depois vieram Bonham, ouvia muito Jethro Tull, que tinha um baterista muito bom (Clive Bunker), Aqualung ouvi até furar. Mas sempre ouvia muito jazz tradicional e gostava muito do Take Five, Joe Morello... era um show. Meu pai tinha discos de sambas do bom: Cartola, Clementina, Moreira da Silva, Vinícius. Na rádio, tinha um programa chamado 60 minutos de musica contemporânea, na JB AM, era apresentado pelo Sérgio Chapellin. Tocava tudo do rock novo, especialmente, progressivo: Yes, Premiatta Forneria Marconi, Genesis, Focus, Emerson Lake and Palmer, etc. Tinha o programa do Big Boy também, era Beatles e muita música negra legal, James Brown e funk original do bom. Via muito na tv o Zimbo Trio tocando nos programas do Flávio Cavalcanti, Airton e Lolita… (risos). Depois ouvia muito Jovem Guarda, Os Incríveis, Caetano, Gil, na fase dos festivais, e Mutantes, claro. Quando veio a fase dos clips, tinha um programa, Som Pop, que era da Tv Cultura de São Paulo, que passava na TV educativa do Rio nos domingos de tarde, no fim dos anos 70. Era a melhor coisa que tinha na tv para se atualizar quanto ao rock. Foi aí que vi o Police e tudo mudou. Mas meus amigos na época nem curtiam muito, estávamos numa ressaca sentimental com a morte do Lennon. Então conheci Bi e Herbert em 81, só começamos a tocar mesmo no final de 82…

O primeiro baterista dos Paralamas foi o Vital, que não durou muito. Como você acabou entrando pra banda?
Vital era um baterista-amigo da turma do fundo do pré-vestibular do Bi e Herbert. Tocou pouco tempo com eles e estava na hora em que Bi inventou o nome da banda. Eles tinham uma meia dúzia de amigos que funcionavam de "platéia", micro-público, para os ensaios na Vovó Ondina (avó do Bi), no apê dela em Copacabana. Mas eles nunca se apresentaram em público, era tudo uma brincadeira. Até o dia em que a gente se conheceu, em 81, no tal festival de música na Universidade Rural, onde o Bi cursava Zootecnia e eu, biologia. Ele inscreveu algumas música, entre elas, Vital e sua moto, mas não foram escolhidas. Ele insistiu e conseguiu que a banda se apresentasse "hors concours" (fora da competição), mas o Vital não apareceu, o Herbert chegou para a apresentação sem ele. Um amigo meu que era amigo do Bi foi na minha casa me chamar pra tocar com eles. Ficamos conversando antes de subir no palco. Foi muito divertido, as músicas eram "rockinhos" simples, tinha uma chamada Mandingas de amor, dois amigos do Bi - Naldo e Ronel- cantavam (risos). O Herbert só estraçalhava na guitarra. Quebrou umas três cordas na hora, tivemos que parar na segunda música, o pessoal esperando o resultado da dupla de violão e voz que ganhou o festival… um caos! Mas gostaram dos Paralamas! (risos)

Você participou de um período riquíssimo pra cultura brasileira, que foi a década de 80. O que essa geração significou pra você e como era estar nesse meio?
Nós estávamos muito dentro e muito calouros para ter essa dimensão. Agora podemos ver com um certo distanciamento histórico. Mas não éramos assim tão focados. Nosso ideal era tocar no Western, uma espelunca que tinha aqui no Rio, mandar a demo pra Rádio Fluminense Maldita, depois tocar no Circo Voador, abrindo para o Lulu Santos, que dava a maior força pra gente. Quando conseguimos isso tudo, nem sabíamos para onde ir, até a hora em que assinamos o contrato com a Odeon, no começo de 83. Fizemos prova para carteira de músico na Ordem dos Músicos junto com o Kid Abelha, que conhecemos ali na ocasião. A turma de Brasília, especialmente o Renato Russo, ainda eram ilustres desconhecidos. Queríamos era questionar o modelo vigente dos medalhões da MPB, com suas coberturas em São Conrado e Mercedes brancas que ganhavam das gravadoras. Foi aí que veio a revolução da Blitz, do Circo, do punk paulísta... pegamos uma marola boa nessa época.

Em algumas entrevistas, o Lobão fala sobre uma certa "perseguição musical" dos Paralamas, que vocês sempre o copiavam... Isso faz sentido ou é paranoia dele?
O que ele não fala é que todas as músicas que ele acusa de plágio já tinham sido gravadas por nós antes dele, no começo da banda. Eu adorava Cena de Cinema, Os Ronaldos, depois ele ficou muito desinteressante. Pra plagiar tem que ter coisas boas (risos). Acho que agora que ele virou escritor de sucesso, vai se acalmar. A minha explicação, de quem estava de fora e viu tudo, é que todos os "amigos" da geração dele - Ritchie, Lulu, Evandro Mesquita, Marina entre outros - faziam sucesso e ele não, por isso o recalque. Então devia pensar: "Epa! Esse guri com cara de nerd (Herbert) não pode fazer mais sucesso que eu, não!". Aí escolheu o Herbert pra judas. Mas ele sempre falou que só fala mal de quem ele gosta, haja visto o Caetano, que até fez música pra ele.

Sei que você é apaixonado por tudo que envolve a Segunda Guerra Mundial. De onde vem esse fascínio pelo tema?
Meu pai foi pra guerra. Eu redescobri essa história que era muito comum dentro da minha casa, ampliei e aprofundei o tema. Estou lançando meu segundo livro (1942 - O Brasil e sua Guerra Quase Desconhecida) e produzindo meu segundo documentário (O Caminho dos Heróis) sobre o Brasil na guerra. Adoro o assunto, tenho um núcleo de projetos com meu irmão. Em breve vamos produzir uma mini série. Vai ser top mesmo, como nunca se viu por aqui.

Atualmente os Paralamas estão com a turnê 'Brasil Afora', certo? Vão continuar com esse show em 2013 ou vem coisa nova por aí? Disco novo?
Estamos preparando a turnê dos 30 anos. Vai começar em maio, junho. São trinta anos sem parar. O Toni Platão, meu chapa, costuma dizer: "Vocês tocaram no primeiro Rock in Rio e, de lá pra cá, nunca mais pararam!". É verdade! Nem sentimos o tempo passar. Vamos tentar aprontar algo inédito para a turnê, quem sabe?

Nos Paralamas, como é o processo de criação? Todos participam ou vocês trabalham nas ideias do Herbert?
Herbert é nosso mestre. Atualmente, ajudamos no processo de separar o que ele já escreveu, das músicas que ele já fez. Algumas vezes fazemos alguma coisa juntos. Mas ele escreve tudo. Experimentamos um pouco, gravamos os ensaios e fazemos um "teste do dia seguinte" pra ver se ficou bom. Quando sentimos firmeza, gravamos um álbum.

Como você analisa o mercado musical hoje no Brasil?
Incrível ter artistas que ainda conseguem vender tanto cd. Não tinha morrido o mercado? Ao mesmo tempo, achei muito curioso o Ai se eu te pego no topo das mais baixadas pagas, no iTunes. Estão fazendo questão de comprar música popular, não apenas baixar de graça e trocar arquivo. Bom sinal. Tem espaço para vender música na web, sem atentar contra a liberdade cibernética. Mas o mercado estreitou muito mesmo. Só os muito populares ainda vendem. Pega Seu Jorge, Paula Fernandes… sertanejo, pagode. Olhando assim ao redor, o segmento do rock encolheu, parece que a gente (Os Paralamas) vem de outro planeta. Nossa salvação é saber que muita gente gosta do nosso show, não tem show pirata dos Paralamas, né? (risos)

E o que acha do atual cenário da música? O que lhe agrada dessa nova geração?
Não gostamos de falar do que a gente não gosta. Tem muita coisa boa surgindo na cena do rock, algumas outras que estão aí faz tempo, como o Siba, Lucas Santana, Pitty, que ainda parecem novidade. A produção musical se democratizou muito. Hoje todo mundo grava seu álbum, põe em clip no Youtube, tem muita coisa boa sendo feita.

Seu conselho pra turma que deseja viver de música no nosso país...
Ok, baixou o Danilo Gentili pra quebrar o gelo… Fazer um curso de sobrevivência na selva ajuda! (risos). É bom que se for viver de música, assim a pessoa pode emagrecer sem fazer dieta (risos). Pensando bem, faça uma dupla sertaneja ou entre pra uma banda gospel, isso é certeiro! Mas aí não é música, né?!! (risos). Calma gente, brincadeira! Agora sério, pode parecer piegas, mas apenas siga seu coração. Quem quer viver de música tem que se entregar mesmo. Dinheiro e fama não entram nessa entrega, é apenas sorte. Pode aparecer – ou não - no final do processo. Pensar nisso antes, atrapalha e não leva a lugar nenhum.

Para o João Barone, a vida é... (?)
Uma jornada onde o principal é o caminho, não a chegada.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Brunocos entrevista: Jack Endino


Produtor musical de Seattle (EUA) fortemente associado com a cena grunge. Produziu álbuns de bandas como Mudhoney e Soundgarden. Famoso por produzir o primeiro álbum do Nirvana, Bleach, lançado em 1989. Produziu também o álbum Skunkworks do trabalho solo do vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson. Entrou para o hall brasileiro ao assinar a produção do disco Titanomaquia, dos Titãs, em 1993.
Ladies and gentlemen, with you: Jack Endino!


Jack, quando você começou a se interessar por música?

Muito jovem, aos 12 anos.

O que o levou a trabalhar como produtor musical?
Quando criança, eu sempre ouvia música para "desmontá-la" com os meus ouvidos. Eu vi que o produtor tinha muita entrada sobre o som do disco. Parecia um trabalho muito importante. Eu queria fazer.

Você produziu 'Bleach', o primeiro álbum do Nirvana. Como conheceu os garotos?
Eram apenas alguns rapazes que surgiram e queriam fazer um registro...

E como foi a produção desse álbum?
Muito rápido!

Você é adorado por muitos fãs dos Titãs. Produziu grandes álbuns da banda. Como começou e como é sua relação com os Titãs?
O Tony (Bellotto) me ligou em 1993. Ele estava ouvindo um monte de discos que eu estava fazendo em Seattle para o selo Sub Pop. Ele me explicou que os Titãs queria fazer um "disco de rock" de verdade, mas não havia produtores de discos no Brasil que poderia entender o que a banda queria fazer. Eu vim para o Brasil e fizemos o Titanomaquia. Eventualmente, eu fiz mais quatro registros para a banda: Domingo (95), As Dez Mais (99), A Melhor Banda...(2001), e o MTV ao vivo de Floripa (2005). Além disso, fiz duas gravações com o Nando (Reis). Às vezes falo com o Tony e Sérgio (Britto), Charles (Gavin) também, e claro, Nando.


Você gosta de música brasileira? Acompanha o que acontece no Brasil?
Sim, eu gosto, mas não ouço muito nos EUA.


Tem algum projeto em andamento?
The Walking Papers! O baterista é Barrett Martin e o baixista é Duff McKagan (ex Guns N' Roses). Eles são muito, muito bons!

Interessante! Pode falar mais sobre esse trabalho?
É Barrett Martin na bateria, Jefferson Angell nos vocais e guitarra (ele estava em uma banda daqui há alguns anos, chamada "Post-Stardom Depression"), Duff McKagan no baixo, e um camarada chamado Benjamin Anderson nos teclados. Eles lançaram um álbum agora, chamado "Walking Pappers". Eu mixei! E já estamos trabalhando no próximo disco.

Ao longo da sua carreira, qual foi o trabalho mais difícil?

Oh, esta é uma pergunta difícil. Eu poderia citar alguns, mas são bandas que você nunca ouviu falar.

E quais foram os trabalhos que você mais gostou de fazer?
Mark Lanegan; Bruce Dickinson; Teraphy?; Choque Kultur; Titãs e Nando Reis, claro; Nirvana; Mudhoney; High On Fire... É uma pergunta difícil, eu fiz mais de 400 gravações!


Pra fechar... "Para o Jack Endino, a vida é... ?"
The life is good!



sábado, 14 de abril de 2012

Brunocos entrevista: Kid Vinil

Antônio Carlos Senefonte, mais conhecido por Kid Vinil, ficou famoso nos anos 80 como vocalista do grupo Magazine, com as canções "Tic Tic Nervoso", "A Gata Comeu", "Sou Boy" e "Glub Glub No Clube". Kid Vinil é cantor, radialista, compositor e jornalista.
Confira a entrevista com o "boy" Kid Vinil!

Quando você começou a se interessar pela música?
Eu cresci numa família bem musical, meus tios gostavam de Elvis e muito rock and roll, meus primos Beatles e daí comecei a me interessar por rock. Na escola já ouvia Beatles com os colegas, durante minha adolescência, e curtiamos Hendrix, Doors, Janis Joplin, etc.

Como o Antônio Carlos Senefonte virou Kid Vinil?
Foi para um programa de radio em 1978, fiz um teste na extinta radio Excelsior para apresentar um programa de punk rock e new wave. Precisava de um apelido, pois como Antonio Carlos nao ia rolar, daí um produtor chamado Pena Schmidt, que trabalhava comigo na Gravadora Continental, inventou comigo o apelido Kid Vinil, que veio de duas ideias: a de um manager do The Clash chamado Kosmo Vinyl e de um 
DJ da BBC de Londres chamado Kid Jensen, daí fizemos um bem bolado e criamos o Kid Vinil.

Nos anos 80, houve uma explosão de bandas, entre elas a "Magazine", da qual você fez parte. O que essa geração representa pra você?
Foi uma das melhores fases da minha vida, experimentei o sabor do sucesso, da super exposição na mídia, viajamos o Brasil inteiro, todos cantavam nossas musicas de norte a sul, era incrível. Foi uma experiência que jamais esquecerei e aprendi muito com isso.

Em 2009, você lançou o "Almanaque do Rock". Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre a história do rock?
Foi da propria Editora, a Ediouro, eles me contataram para fazer um livro no formato Almanaque, pra fazer parte da série de almanaques que eles editaram. Achei legal a ideia e parti pro livro. Como por coincidência já tinha apresentado na decada de 90 uma série pra TV Cultura sobre a historia do rock, tinha muita coisa ja escrita sobre cada década, foi só colocar em ordem e partir pro livro.

Você comentou comigo que viu aqui no blog uma postagem sobre o "A Nod Is As Good As A Wink..." do The Faces, e que esse disco marcou sua vida. Pode citar alguns discos que marcaram sua vida?
O primeiro deles foi o álbum branco dos Beatles, eu tinha meus 13 anos e um amigo português recebia uns dólares de sua tia que morava na américa. Certo dia pegamos essa grana e saímos pela cidade em busca do álbum branco. Foi um choque, o disco mostrava os Beatles atirando pra todos os lados, é realmente um clássico.
Na década de 70 teve vários: Paranoid do Black Sabbath, Slade Alive, Willie and the Poor Boys do Creedence Clearwater Revival, Lola vs the moneygoround dos Kinks (esses eram discos comprados com meu dinheirinho suado de office-boy).

Existe muita coisa boa rolando pelo mundo, inclusive no Brasil, porém não tão expostas. Que som você tá curtindo e gostaria de indicar?
Minhas bandas favoritas no momento são: uma americana chamada "Alabama Shakes". Outra também americana chama-se "The Men". Uma irlandesa chamada "The Minutes" e uma escocesa chamada "Django Django". Daqui tenho ouvido poucas coisas, nao lembro de nada que me fez a cabeça recentemente.

Como você analisa, não só a cena do rock, mas a cena musical hoje no Brasil?
Na verdade estou um pouco distante disso, tenho me interessado mais por rock lá de fora e relançamentos de coisas clássicas do rock do que necessariamente coisas brasileiras. Curto os relançamentos brasileiros como as coletâneas da Groove Records de Portugal chamada "Brazilian Nuggets vols 1 e 2". Ah sim, e gosto dos "Haxixins".

Você tem um projeto bacana, o "Kid Vinil Xperience". Explique um pouco o que é o "Kid Vinil Xperience"?
Essa banda nós formamos pra tocar claro as coisas do Magazine e do Verminose, e regravar coisas obscuras do rock. Lançamos um cd chamado "Time Was" só com regravações de obscuridades de varias epocas. Agora queremos lançar um cd de nuggets brasileiros, até o final desse ano.

E pro futuro, quais são os seus projetos?
Então, esse cd e um dvd ao vivo, vamos ver se ate o final do ano eles se concretizam.

Para o Kid Vinil, a vida é ... (?)
Rock and roll e muitos discos.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Brunocos entrevista: João Estrella


João Guilherme Estrella ficou conhecido pelo livro "Meu Nome Não É Johnny", e pelo filme homônimo, onde João é representado pelo ator Selton Mello. 
As obras retratam seu envolvimento com o tráfico de drogas e sua reabilitação após a prisão.
Conheça agora um pouco mais sobre João Estrella ★


Como foi seu primeiro contato com as drogas? O que te levou a isso?
Com 14 anos, maconha. O que me levou a usar foi a curiosidade e atração pelo proibido.

Em que momento você decidiu revender drogas?
Eu não tomei uma decisão definitiva. Me ofereceram um pouco, depois um pouco
mais e aí aprendi o negócio e segui. Não foi uma decisão de forma pensada e se tivesse sido uma decisão, teria sido contrária.


Isso cresceu tanto, que você chegou a ser considerado um "barão do pó", sem uma mega estrutura. Como você administrava isso?
De forma caótica e mais desorganizada possível. A única coisa certa era honrar os compromissos e gastar os lucros.

Quando foi preso, a princípio você ficou com membros do Comando Vermelho. O que você sentiu e viveu nesse período?
24 horas de tensão durante 4 meses, praticamente sem ver o sol, com pancadarias constantes e a luta pela conquista de confiança para poder estar ali.

Depois você foi pro manicômio. Qual era a maior dificuldade em estar num ambiente assim? Teve medo de realmente enlouquecer?
Desde antes, na PF, percebi que manter a sanidade seria o duelo mais difícil, e no manicômio você tem que se testar o tempo todo para não sucumbir ao entorno.

Quando você se livrou das drogas, do tráfico...?
Assim que fui preso, em 95. A perda da liberdade muda o foco, e apesar
de no manicômio ter tudo, a retomada do seu destino, reconquistando a liberdade se torna
um objetivo bem mais interessante do que ficar se alienando com cocaína. Aquela é uma realidade que nenhuma droga te faz ter a sensação de fuga.


Como surgiu a ideia de lançar um livro?
Esse lance de livro eu acho que passa na cabeça de todo maluco que viveu demais. Quem realmente tornou isso real foi o Guilherme Fiuza, jornalista que em 2002 me propôs entrar em mais essa aventura.

Você esteve presente nas gravações do filme. De que forma você colaborava? O filme é um retrato fiel?
O filme retrata muito bem e o livro é o retrato fiel. Estive na gravação de várias cenas e foi muito bom. Pude colaborar um pouco conversando com os roteiristas e o Selton, quando era solicitado.

Em 2008 você lançou o disco "Meu Nome é João Estrella". Você sempre teve essa ligação com a música?
Sim. Estudei canto durante muito tempo e toco violão há 35 anos.

E sua vida atualmente? Continua trabalhando com música? Quais são seus projetos pro futuro?
Vou lançar um disco e um livro de poesias esse ano ainda. Faço palestras, shows e trabalho atualmente também com orientação e aconselhamento para todas as idades, mas
principalmente para jovens.


Para o João Guilherme Estrella, a vida é ... (?)
...e sempre foi maravilhosa.

João, obrigado pela atenção. Admiro muito sua história de superação e tudo mais. Te desejo todo sucesso. Um abraço!
Obrigado e tudo de bom pra você e para quem te lê. Abraços,
J*



domingo, 11 de março de 2012

Brunocos entrevista: André Jung (IRA!)


André Jung foi o primeiro baterista dos Titãs. Mas sua carreira ficou marcada mesmo no IRA!, uma das maiores bandas do Brasil,  formada também por Edgard Scandurra (guitarra), Ricardo Gaspa (baixo) e Nasi (vocal). O IRA! anunciou seu fim em 2007.
Confira a entrevista com o super-batera: André Jung!

Quando começou seu interesse pela música?
Aos 10 anos comecei a gostar de música. Aos 15 comecei a estudar música barroca. Depois, no colegial, fui me envolvendo com grupos na escola e resolvi me tornar músico. Comecei a cursar jornalismo na ECA, mas já havia decidido.

Você foi o primeiro baterista do Titãs (82 - 84). Como ocorreu sua saída do grupo?
Numa conversa num quarto de hotel, em Copacabana, no dia 1 de janeiro de 1985.

E como foi parar no IRA! ?
Dois dias depois disso, o Edgard, e o vocalista com quem eu morava então, voltaram de viagem à Bagé (RS), junto com o Gaspa, e me convidaram para completar o IRA!.

Dos discos que gravou, qual você mais gosta? E qual foi o show que mais te marcou na sua carreira?
Gosto de vários: Titãs (1984) - Mudança de Comportamento (1985) - Psicoacústica (1988) - Meninos da Rua Paulo (1991) - Você Não Sabe Quem Eu Sou (1998) - Isso É Amor (1999) - Acústico MTV (2004). 
Meu show inesquecível foi  Praça do Relógio, USP (1988).

Existem vários boatos, várias versões sobre o fim do IRA!. Afinal, o que causou o término da banda?
Não quero falar sobre isso.

Você gostaria de voltar com o IRA! ? Acha que é possível uma reunião futuramente?
Gosto muito e admiro o Edgard, com quem sempre gostaria de tocar.

Fale um pouco sobre seus trabalhos atuais. 
Sou Gerente Comercial da Pearl Brasil, toco bateria e percussão em diversos projetos pontuais com Banda Performática, F.A.U.T; Sossega Leão; Felix Y Los Carozos; produzo artistas; comento e escrevo sobre automobilismo.

E tem projetos na manga?
Preparar show com Banda Performática para 12/04.

Qual é a sua opinião sobre a cena musical hoje no Brasil?
Nunca vi pior.

Que conselho você dá pra quem quer seguir carreira na música?
Ter um plano "B".

Para o André Jung, a vida é ... (?)
A arte do encontro.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

Brunocos entrevista: Serguei

A lenda viva do rock n' roll. Sérgio Augusto Bustamante, ou simplesmente: Serguei, o divino do rock!

Quando rolou seu primeiro contato com o rock?
Quando fui ao cinema e vi o Elvis, na década de 50. Fiquei louco: "É isso que quero para minha vida!"

Você conheceu vários astros da música. Quais foram marcantes pra você?
Rita Lee, Hendrix , Mick Jagger, Jim Morrison, entre outros.

E a Janis Joplin, como a conheceu?
Em NY, numa festa. Ela estava ao lado do Laudir Oliveira que nos apresentou.

Como era a relação de vocês?
Maravilhosa. Vivemos vários momentos maravilhosos, e uns poucos nem tanto. A única coisa que não gostava eram as drogas. Fora isso, adorei cada momento que vivemos juntos.

É verdade que o Axl Rose quis te conhecer?
Sim, é verdade. Ele me viu cantando no Rock in Rio III e disse que queria conhecer aquele “louco” . Os produtores me avisaram, porém, eu estava há 2 dias sem dormir com aquela correria toda. Infelizmente não aguentei esperar.

Muitos falam sobre seu "pansexualismo". Você realmente é pansexual?
Não, rs... Isso foi uma brincadeira do JÔ, rsrs... Mas gosto de sexo livre (com proteção, é claro...)

E esse seu lance com a natureza? Rola um "Love", não?
Claro que sim. Eu amo a natureza. Adoro os animais. Eu defendo os animais. Tenho vários cachorros e odeio quem maltrata os pobres bichinhos.

O que você acha da música que vem surgindo no Brasil?
Depende. Ainda existem boas bandas surgindo. Porém, a necessidade crescente de se criar “sucessos” fez com que as gravadoras e alguns produtores buscassem forjar figuras “bonitinhas” (montadas) sem nenhum conteúdo. Assim, com dinheiro para pagar “jabá”, tocar direto nas rádios e criar o “sucesso”.
Mas alguns grupos ainda resistem e não abrem mão de fazer boa música com letras críticas e elaboradas, como os meninos da banda Pandemonium, por exemplo, entre outras.


Como está sua carreira de cantor? Continua na ativa com a banda Pandemonium?
Ótima. Acabei de fazer shows em Minas Gerais e no Ceará (Encontro do Cobras MC). Estamos com uma agenda legal, fazendo vários shows pelo Brasil (Belo Horizonte, Betim, Contagem, Natal, Goiânia, Brasília, São Paulo, Vitória, Fortaleza, Maracanaú, etc...). Adoro os palcos e amo cantar. Além disso estou gravando uma participação numa série de TV para a HBO e um documentário com a Banda Pandemonium para um programa de NY , a Brazilian Guitar Fuzz Bananas, que lançou um vinil em NY com uma música minha “Ouriço”.
Estamos, eu e a banda Pandemonium, numa parceria de quase 4 anos. Eu adoro os meninos (Alex Anjo (batera) - André Ribeiro (vocal) - Diego Brisse (guitarra) - e Marcio “Suíço” (baixo). Eles são amigos, competentes, profissionais . Lancei um disco em 2009 ("Bom Selvagem") no programa do JÔ com eles e em maio deste ano sai um CD deles (“Mondo Cane”) com minha participação em 2 músicas.
Tocamos na última edição do Rock in Rio no estande da Trident, no dia do Guns N’ Roses. Foi maravilhoso.


Finalizando: "Para o Serguei, a vida é... (?)"
Muito amor, sexo, rock, os meus animais ...
A vida é como a Lua : Nova (quando nascemos e nossa infância), Crescente (quando estamos na adolescência), Cheia (quando nos tornamos adultos. É o período do amor, da plenitude, da esperança, etc) e Minguante (Não cheguei ainda, estou em plena atividade, rsrsrs).



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Brunocos entrevista: Fernando Deluqui (RPM)


Ele é guitarrista e um dos fundadores do RPM, a maior banda-fenômeno do rock anos 80 no Brasil. Ele é Fernando Deluqui!


QUANDO COMEÇOU SUA PAIXÃO PELA MÚSICA?
Desde cedo... frequentei aulas de bateria antes de completar 10 anos de idade. depois, aos 15, 16, comecei a arranhar um violão que tinha em casa. Comprei minha primeira guitarra, uma strato cor de madeira, bem Blackmore aos 18 e não parei mais.

E COMO VOCÊ FOI PARAR NO RPM?
Eles me acharam... o (Luiz) Schiavon tocava comigo na banda da Mae East, ex Gang 90 e Absurdettes do Julio Barroso, que já tinha emplacado alguns hits. O Schiavon e o Paulo (Ricardo) já se conheciam desde antes e tinham feito parte de algumas bandas mas não foram projetos viáveis. Com a minha entrada é que assinamos com a CBS e o resto é história.

O RPM FOI O MAIOR FENÔMENO DOS ANOS 80. DO QUE VOCÊ MAIS SENTE SAUDADES DAQUELA ÉPOCA?
Não sinto saudades de nada. Tento viver o momento da melhor maneira possível e tentando dar o melhor de mim. O Paulo disse outro dia: "Se eu soubesse que envelhecer era bom assim eu teria envelhecido antes". Eu concordo com ele. Claro que tivemos uma fase de muito sucesso naqueles distantes anos 80 (não tão distantes assim) mas estou feliz agora.

O QUE VOCÊ ACHA QUE LEVOU O RPM AO "PRIMEIRO FIM", APÓS O SUCESSO DE RÁDIO PIRATA, EM 86?
Éramos jovens demais, fazendo sucesso demais. Nós não tivemos um exemplo para nos servir de referência de como agir no caso de estourar e vender quase 3 milhões de cópias de um disco. Eu, por exemplo, achava que tendo feito aquele sucesso seria fácil fazer de novo, em outro formato, comigo nos vocais, fazendo um som mais rock´n roll, sei lá... Partir para a "carreira solo" é quase uma rotina nas bandas que fazem muito sucesso. Mas o fato é que "fazer sucesso" é uma conjuntura de coisas muito complexa e você precisa estar no lugar certo e na hora certa. Hoje vejo isso como uma coisa divina mesmo. No ano de 86 depois de uma maratona de mais de 500 shows em tres anos não tínhamos a menor visão do que estava acontecendo conosco, do cenário musical da época ou da nossa imagem diante do enorme público que havíamos "conquistado". Na minha opinião, deveríamos tirar um ano sabático e voltar depois com muito planejamento e material de qualidade. Deveríamos ter uma estratégia, pessoas nos assessorando e nos dando subsídios para que não jogássemos fora todo aquele sucesso estrondoso que acabávamos de fazer. Em vez disso nos envolvemos numa briga de egos, intolerância, mentiras e nos separamos, ficamos (no pior caso, eu e Schiavon) praticamente 12 anos sem nos falarmos.

NOS ANOS 90, DURANTE UM PERÍODO, VOCÊ FEZ PARTE DO ENGENHEIROS DO HAWAII. FORAM TEMPOS DE TURBULÊNCIA, NÃO?
Sim, foi o período do cd e turnê "Simples de Coração" que durou os anos de 95/96. Foi o período mais caótico da minha vida, pois além de entrar na banda meio a contragosto da própria banda, eu estava me separando da minha primeira mulher. A estória de entrar na banda me foi proposta por Gil Lópes e Carmela que eram empresários nossos (do Paulo e meu) e do João Gilberto também. Quando deixei o que sobrou do RPM em 94 o Gil me ligou e fez a proposta. Adoro o Gil e Carmela e sei que eles não tinham nenhuma má intenção mas o fato é que desde o início, aquilo foi uma confusão muito intensa. O que me era dito por eles, na prática , não acontecia. Detalhes importantes como a formação da nova banda me foram omitidos e os Engenheiros originais que eram o Humberto Gessinger e o Carlos Maltz também estavam com a relação desgastada após muitos anos de banda. A situação era bizarra, com a velha disputa de egos, drogas (eu tava tentando largar mas ainda não tinha conseguido) e rock´n roll. Mesmo assim, o cd estava vendendo bem e a turnê também foi sucesso. Foi uma pena termos parado os trabalhos relativos ao "Simples" tão rapido. Hoje eu tenho consciência de que, de alguns ângulos, a vida pode ser considerada longa e com fases. Na época, em 96, eu estava cansado de brigar e quis partir para um trabalho onde eu tivesse autonomia, tomasse as decisões e não tivesse que brigar para gravar um take de guitarra. Mas o cd tinha qualidade e trabalho com o grande amigo Greg Ladany (Eagles, Fleetwood Mac e Madonna) foi divertido, apesar de tudo e é um dos meus melhores registros da minha carreira. Mesmo assim, deste período, ficou a amizade com o Carlos Maltz e com o Humberto com quem até me encontrei depois.

QUAL FOI O MELHOR E O PIOR MOMENTO DA SUA CARREIRA?
Sobre qual aspecto? Tudo é muito complexo e costumo positivar as coisas e não ficar deprimido. A vida já tá muito chata sem que eu fique me torturando, rs... mas vamos lá... o período do RPM/Radio Pirata foi um grande aprendizado pois eu, que era um surfista desencanado de fazer sucesso no mainstream, de repente fui alçado à fama no seu grau mais alto. Não foi fácil pra mim suportar o assédio. Ao mesmo tempo foi um período mágico e tenho muitas boas lembranças dos shows e coisas engraçadas das viagens. Era um período onde tudo era possível. A maior surpresa ou loucura podia acontecer, não havia limites para o RPM. Quando conto algumas passagens as pessoas não acreditam. Muito doido mesmo. No período com os Engenheiros teve muita briga mas houve bons momentos e guardo com carinho aquele tempo também. Depois, os anos em que trabalhei sozinho com músicos contratados e lancei os cd´s "Delux", "Jardim Secreto" e "Fernando Deluqui" foram ótimos do ponto de vista da liberdade que eu tinha para criar e tocar com músicos excelentes. Vários shows foram feitos, onde havia muita improvisação, climas e satisfação musical. A estrutura não era a mesma de um RPM e passei por alguns momentos bem esquisitos, com público barra pesada, sem profissionais de segurança, as vezes, mas fazíamos sons que pagavam um eventual perrengue e eu adoraria continuar a fazer aquele trabalho. Quem sabe um dia, quando o RPM tirar férias...

COMO VOCÊ VÊ O MERCADO DA MÚSICA ATUALMENTE NO BRASIL?
Cara, eu sou músico profissional e sei que para pagar as contas com a música você tem que atingir um mínimo de pessoas e isso tem valor. Os jornais falam, na maioria dos casos, da nova sensação do underground dos últimos cinco minutos, mas sei que esses artistas, não raro, fazem pouco show para pouca gente. É ilusão. As FM´s tocam, em sua maioria, o som pop importado das Beyoncés da vida (que eu até acho legal) e o sertanejo que pra mim é um desastre, eu tenho alergia, tipo... não dá mesmo, não sei como nem quem é o responsavel por tanta falta de bom gosto. É lamentável mesmo. Fico muito triste, muito triste mesmo com a realidade do mercado. Sei que há muitos talentos e muita música boa sendo desperdiçada. Carreiras geniais foram interrompidas por terem se tornado inviáveis comercialmente falando. Só aqui em São Paulo há bandas como o Cérebro Eletrônico, Ludov, Cabaret, Pedra (to esquecendo um monte) e inúmeras outras que fazem um puta som, mas um puta som mesmo e que ficaram sem espaço. Cara, eu tô falando de uma geração que poderia estar fazendo sucesso, tocando no rádio e fazendo a cabeça de toda uma galera brasileira, mas isso não acontece. É leviano e tem a ver com o enriquecimento rápido de alguns e o consequente emburrecimento (rapido também...rs) de outros. Mas o povo tem o governo (e os artistas) que merece. "Ai se eu te pego..."

HOJE, O QUE O RPM REPRESENTA PRA VOCÊ?
O RPM hoje pra mim representa a possibilidade de viver bem e trabalhar com música. Temos a estrutura necessária para viajar, fazer shows, gravar e tudo mais. A nossa equipe técnica também não nos deixa na mão. Mas nossa maneira interna de trabalhar hoje é muito em cima dos moldes do início da banda, quando as decisões eram tomadas pelo Luiz e pelo Paulo. Não é o ideal, pois creio que um pouco mais de democracia tornaria o RPM melhor. As vezes me sinto engessado. E justo eu que sempre tentei fazer tudo certo, tentando entrar em contato com os dois para resolvermos nossos problemas. Não sei o que eu fiz de errado mas é o que temos e não vou parar. Você acha que eu deixaria um outro guitarrista ficar com o meu lugar?

QUAIS SÃO SEUS PLANOS PRO FUTURO?
"No plans". Vou tentar tocar guitarra da melhor maneira possível e tentar curtir a vida sem sofrer. A vida é curta.

PARA O FERNANDO DELUQUI, A VIDA É... (?)
Embora eu tenha dito que a vida é curta, eu acho mesmo é que "a vida não é justa mas pode ser boa". Tome cuidado, estude e seja feliz.

VALEU DELUQUI. OBRIGADO PELA ATENÇÃO. DESEJO TODO SUCESSO PRA VOCÊ, PROS SEUS PROJETOS, RPM... UM GRANDE ABRAÇO!
O mesmo para você Bruno. Abraços!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Brunocos entrevista: Rodrigo Santos (Barão Vermelho)


Baixista do Barão Vermelho. Músico sensacional. Tenho que confessar: Sou fã desse cara!
Não preciso dizer muita coisa. "Pire" com Rodrigo Santos!
por Bruno Moreira


Bruno: Nos anos 80 você tocou com muita gente, grandes ícones da música. O que essa geração representou (ou representa) pra você e pra música brasileira? 
Rodrigo: Como faço parte dessa geração, não costumo ficar puxando brasa pra nós. Apenas demos continuidade ao que aprendemos com Rita Lee, Raul Seixas, Belchior, Jorge Benjor, Bezerra da Silva, Moreira da Silva, Tim Maia, Mutantes, Novos Baianos,Pepeu Gomes, A Cor do Som, Alceu Valença, Zé Ramalho, Ney Matogrosso, Renato Barros Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Secos & Molhados, Gil, Chico e Caetano. Basicamente isso formou a nossa geração. Junta-se tudo isso a influência que também tinhamos da New Wave, Rockabilly, Punk, Rock,n,Roll e Reggae/Ska lá de fora e aí está formada a nossa geração, que também vinha com vontade de quebrar os resquicios finais de ditadura que ainda permeavam o país. Letristas como Cazuza, Renato Russo, Lobão, Roger Rocha Moreira, Evandro Mesquita, Herbert Vianna, Leoni, Marcelo Nova, Bernardo Vilhena, Julio Barroso, Tavinho Paes e Arnaldo Antunes davam a diferença. Chutamos a chatérrima MPB que volta agora novamente a equilibrar a mesmice do mercado. A grande diferença que demos no mercado foi arrombar as portas das rádios Fm que não acreditavam no rock, até escutarem a Blitz, o Ritchie e o Lulu Santos. A partir daí não parou mais. Obviamente que com o surgimento do sertanejo universitário, da música Baiana, do pagode mauricinho, do funk carioca e da volta da chatérrima MPB, isso deu uma esfriada, e graças ao surgimento do Skank, Raimundos, Chico Science, Cidade Negra, Detonautas, Cassia Eller, Planet Hemp, e Charlie Brown Jr, o rock deu uma pequena renovada. O resto é mais do mesmo. Dos novos que estão quebrando pedras para chegar ao mainstream, os Autoramas estão a frente! Cito também a cantora Marilia Bessy (de Rock e não de MPB!!! que incrível!!!) . Dos compositores-solo destaco Zeca Baleiro, Nando Reis, Zélia Duncan, Isabela Taviani, Moska, Mauro Sta Cecilia, Lobão e me incluo, sem nenhuma modéstia, nos que se preocupam com a continuidade das letras e sua capacidade de propagar pensamentos e reflexões. Somos da geração que escutou Bob Dylan, Stones, Bezerra da Silva e Beatles. A geração dos 80 também trouxe a tona em suas canções, referências do que estava rolando lá fora na época, como Men At Work, Pretenders, Police, U2, Cure, Smiths, Clash e outros. O Barão era mais da galera do blues, ou rock swingado como Rolling Stones e Santana. Mas a abertura das rádios, o Rock in Rio 1 e os equipamentos (instrumentos, PAs, mesas de som ,etc) que começaram a entrar no Brasil, foram lutas que nossa geração conquistou. Claro, boa música e bons letristas tambem, senão não existia nada.

Bruno: E o Barão? Como tudo começou? 
Rodrigo: Eu entrei no Barão em 91. Cheguei a ver shows deles em 82,83...Eu tocava com Leo Jaime, Front, Eletrodomesticos e João Penca & Miquinhos Amestrados. O começo foi como todo mundo daquela geração - impulsionado pela Radio Fluminense e Circo Voador. Depois do sucesso de Bete Balanço, Maior Abandonado e Pro Dia Nascer Feliz (essa  antes executada exaustivamente nas radios, na voz de Ney Matogrosso), o Barão se destacou das demais bandas e subiu um degrau acima, coisa que só aconteceu com Paralamas, Lulu, Kid, Legião, RPM, Titãs, Ultraje, Leo Jaime e Lobão. Hoje em dia o Capital Inicial pode entrar nessa lista também. E o Engenheiros do Hawaii saiu..rs

Bruno: Você teve um lance com drogas, álcool, e conseguiu superar. Conte um pouco sobre essa experiência.
Rodrigo: Como acontece com todo mundo era bom no inicio, com 18, 19 anos... foi ficando mais constante entre 25 e 35 anos (tempo tambem em que fiquei praticamente de segunda a segunda na estrada fazendo shows) e começou a virar vício entre 35 e 40. Começou a atrapalhar compromissos e perder dias seguintes dormindo. Aí resolvi parar. Procurei ajuda numa clínica (Centro Vida) e logo a seguir me tornei coordenador na mesma clínica (coordenei reuniões durante 3 anos e meio). Parei com álcool e drogas em 02.08.2005.  Hoje em dia não tenho sequer vontade de beber ou usar drogas. Apenas nos primeiros dois meses ficava um pouco saudosista. Criei minha carreira solo toda na abstinência a partir de 2007. Mantive meu casamento (14 anos) e nasceu nosso segundo filho. Só ganhos! Faço muitas palestras hoje em dia sobre isso e falo de uma maneira real, mas leve. 

Bruno: Você tem uma carreira solo bem interessante. Quando decidiu lançar essa carreira? 
Rodrigo: A partir de 2005, quando o Barão anunciou que ia parar de novo - só que dessa vez sem previsão de volta - eu resolvi me preparar para encarar uma nova empreitada na minha vida. Sou surfista de onda grande, gosto de desafios e também não tinha opção, era aquela hora ou nunca. Já vinha cantando nos Britos (banda minha que gravou um DVD todo de Beatles, na Inglaterra). Preparei o repertório novo durante a turne do Barão em 2006 e durante minhas horas vagas no RJ. Era um sonho antigo, mas esperei a hora certa, quando realmente tivesse tempo grande para dar continuidade ao trabalho. São 4 discos em 5 anos, sendo o último um DVD. Muitas músicas tocaram em rádio, outras em novelas. A Som Livre me contratou em 2007 e fiquei lá até 2010 lançando dois discos autorais ( Um Pouco Mais de Calma 2007 e O Diario do Homem Invisível 2009). O  mercado mudou e fiz o terceiro disco por um selo em 2010, a convite  de Marcelo Froes. O cd "Waiting On a Friend" foi meu único não autoral, todo em inglês e com músicas inéditas de John Lennon e Paul McCartney. A música "Waiting On a Friend " tocou muito em rádios, comigo e Frejat dividindo os vocais, e todos os Barões na faixa. Em 2011 resolvi lançar o DVD que gravei em 2010, "Ao Vivo em Ipanema" gravado no Teatro Ipanema e em cima de uma Kombi na Praia do Arpoador (participações de Evandro Mesquita, Ney Matogrosso, Frejat, Leo Jaime, Miquinhos, Leoni, Isabela Taviani, Pepeu Gomes e Chris Pitman, do Guns n´ Roses). Foram até agora 5 músicas em rádios e 1 em novela. 1001 shows. Hoje em dia faço uma media de 15 shows solo por mês e já não dependo do Barão para viver.  Isso aconteceu com muita ralação. Apesar de estar muito bem nesse momento da vida, amo tocar com o Barão e portanto na volta da banda, estarei tocando feliz e com muitas saudades de 
encontrar meus companheiros de muitos anos. Sem abandonar a carreira solo.

Bruno: Dos seus shows, tem algum que mais te marcou?
Rodrigo: Da carreira solo: O Rock in Rio 2011, sem dúvida foi o mais impressionante. Foi na Rock Street para 10.000 pessoas e volta para 3 bis. Além desse, teve o que abri o Skank na Praia de Copacabana para 70.000 pessoas.Inesquecivel, em 2008. Em 2011 fiz 221 shows, muitos importantes, muitas temporadas lotadas e tambem um show memorável: o da praia do Arpoador, no Verão da OiFm. Os shows que inventei em cima de uma Kombi também foram inesquecíveis (Leblon e Arpoador, esse ultimo registro do meu DVD) e as duas festas de Reveillon nos locais mais nobres do Rio (Forte Copacabana e Iate Clube) tambem ficarão na memória, aconteceram agora, de 2011 para 2012. Com o Barão: a abertura dos 5 shows dos Rolling Stones na turne Voodoo Lounge e o Rock in Rio 3, em 2001. Com Lobão: O Hollywood Rock de 1990 onde gravamos o LP "VIVO". Com o Kid Abelha a temporada no Credicard Hall SP, com mais de 12 shows lotados. Com Leo jaime o show Alternativa Nativa, no Maracanazinho lotado em 1986. Com os Britos os 3 shows no Cavern Club, em 2005 e 2006.

Bruno: Como surgiu o projeto "Os Britos" (com George Israel, Guto Goffi e Nani Dias)? Continuam?
Rodrigo: Os Britos surgiram em 94 a convite do pessoal do Circo Voador para lançarmos o filme Back Beat nos moldes do lançamento no exterior, com musicos de diferentes bandas tocando musicas dos Beatles. Aqui fomos nós os escolhidos. Deu tão certo que continuamos e gravamos um dvd na Inglaterra, Ganhamos medalha do principe inglês e acabamos a banda em 2008. Ou seja, nossa historia é quase igual a dos Beatles!! rs

Bruno: Qual sua visão do atual momento da música no Brasil?
Rodrigo: Boa, se procurar encontra coisa muito boa. Claro que o que a mídia empurra no momento é a porcaria de sempre com novos nomes incluídos - nomes do momento. Esse momento-mídia-música está horroroso, mas por tras de tudo isso chegam bandas boas. Falta algo no movimento para quebrar a concorrência dos programas de TV e rádios, mas em compensação tem integridade e musicalidade. Enquanto os diretores de TV e programadores de rádios estiverem por tras disso tudo, teremos as mesmas ruindades sertanejas, axés, funks, rock infantil, mpb sem alma e muitas armações de encontros fakes. Sobre o último armado pela maior gravadora no Brasil não vou nem comentar..mas o efeito vem...o público é enganado por um tempo, mas na geração seguinte isso dá efeito. Afinal, quem vai aturar armações entre ícones da MPB e novos "talentos" unica e exclusivamente criados para empurrar o novo produto da gravadora? Fica fácil...empurra 4 músicas para novelas e o resto vem junto. Tem muito diretor jogando esse jogo e mais, pessoas que eram excelentes musicos na década de 70, 80...entraram direitinho nesse jogo - claro, para manter seu emprego e sua grana na conta. Enquanto isso a produção musical é sofrível!

Bruno: Que conselho você dá pra turma que tá começando na música?
Rodrigo: Não desista, mesmo tendo pela frente pessoas idiotas que nos cercam nesse meio. Não desistam, essas pessoas enriquecem e somem... a nossa arte fica!! E assim vamos crescendo e essas pessoas "diminuindo" - com o tempo isso faz a diferença. Caráter não se aprende na faculdade.

Bruno: Quais são seus projetos pra 2012? Barão volta? 
Rodrigo: Vou ser apresentador de um programa de televisão fechada e continuarei meus shows até maio, quando o Barão volta para shows! Vou tentar conciliar algumas atividades, como palestras-shows e os programas que estarei apresentando, contanto que nao bata com as datas do Barão. Essa é a grande novidade de 2012 - a volta do Barão Vermelho!! Tenho milhares de pedidos de shows solo. Os que conseguir conciliar farei, os outros ficarão para 2013. Tenho meu público hoje em dia, que sai de casa para me ver cantar. Isso eu tenho de cuidar, regar e manter a chama acesa também. Sou muito grato a todos e estou apenas começando minha historia solo.

Bruno: Para o Rodrigo Santos, a vida é... (?)
Rodrigo: Perseverar, as vezes recuar, mas nunca desistir. A vida é...harmonia e desafio!!!

Bruno: Valeu Rodrigo! Que seus trabalhos continuem dando certo, com muito sucesso. Um grande abraço.
Rodrigo: Abração Bruno e aos seus leitores!! Tamos na área! Nos encontramos nos meus facebooks I, II e III , no Twitter @rodrigosantosbv e no site www.rodrigosantos.com.br

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Brunocos entrevista: Andreas Kisser (Sepultura)


Guitarrista do Sepultura. São-paulino. Um dos maiores nomes do heavy metal mundial. Respeitado por grandes lendas do rock n' roll...
Com vocês: Andreas Kisser!


Quais são as suas maiores influências musicais?
EU ESCUTO DE TUDO, MAS A MINHA RAIZ É O ROCK E HEAVY METAL. COMECEI ESCUTANDO O QUEEN E O KISS, DEPOIS COISAS MAIS PESADAS COMO O IRON MAIDEN, JUDAS PRIEST E SEMPRE O BOM E VELHO TRIO: BLACK SABBATH, LED ZEPPELIN E DEEP PURPLE. EU GOSTO MUITO DE MÚSICA CLÁSSICA, ESTUDO VIOLÃO CLÁSSICO HÁ MUITOS ANOS, GOSTO DE BLUES, SEMPRE FAÇO UMA JAM COM AMIGOS BLUESEIROS NO BRASIL QUANDO POSSÍVEL. 


É verdade que na infância você ouvia discos sertanejos do seu pai? Isso te influenciou de algum modo?
SIM, MEU PAI TINHA UMA COLEÇÃO DE DISCOS, PRINCIPALMENTE DA DUPLA TONICO E TINOCO E DO SERGIO REIS. EU ESCUTEI MUITO ISSO NA INFÂNCIA E CLARO QUE EU CARREGO ALGUMAS INFLUÊNCIAS. EU GOSTO MUITO DA VIOLA CAIPIRA, TEM UMA MUSICA DO SEPULTURA, A KAIWOAS, QUE TEM UMA FORTE INFLUÊNCIA DA VIOLA E SUAS MELODIAS.


Qual foi o momento mais marcante da sua carreira até agora?
DIFÍCIL DIZER MAS ACREDITO QUE SEJA O AGORA, O MOMENTO QUE ESTAMOS VIVENDO. APESAR DAS MUDANÇAS, CONTINUAMOS FORTES E ATIVOS NO CENÁRIO METAL MUNDIAL E ISSO JÁ É UMA BELA CONQUISTA, 26 ANOS DE HISTÓRIA E AINDA AMANDO O QUE FAÇO, ME SINTO MUITO PRIVILEGIADO DE FAZER PARTE DE UMA BANDA COMO O SEPULTURA.


No Sepultura, como é a escolha do repertório de shows e discos?
GERALMENTE FOCAMOS NO TRABALHO NOVO E COMPLETAMOS COM OS TEMAS MAIS ANTIGOS, TEMOS MUITAS MUSICAS, MAS ISSO NUNCA FOI PROBLEMA, ALIÁS, É SOLUÇÃO. TEMOS MUSICAS MUITO DIFERENTES UMAS DAS OUTRAS E SEMPRE MONTAMOS UM SET QUE REPRESENTA A HISTÓRIA DA BANDA, INDEPENDENTE DAS FORMAÇÕES QUE JÁ PASSARAM PELA BANDA.


Você já tocou com diversos astros do rock mundial. Com quem você mais gostou de tocar?
PUTZ, MUITO DIFÍCIL, MAS A TOUR COM O ANTHRAX ESTE ANO FOI FANTÁSTICA. ALÉM DE FAZER PARTE DA BANDA POR DUAS SEMANAS, EU TIVE O PRIVILÉGIO DE TOCAR JUNTO COM METALLICA, SLAYER, MEGADETH E O PROPRIO ANTHRAX NAS JAMS NO FINAL DOS SHOWS DO BIG 4 NA EUROPA, UM DOS MOMENTOS MAIS IMPORTANTES DA MINHA CARREIRA. NÃO POSSO DEIXAR DE MENCIONAR O JAM QUE FIZ COM  RONNIE JAMES DIO EM SAO PAULO, TOQUEI MOB RULES DO BLACK SABBATH, UMA GRANDE HONRA. AQUI NO BRASIL TIVE O PRIVILÉGIO DE DIVIDIR O PALCO E ESTÚDIO COM BANDAS COMO OS PARALAMS DO SUCESSO, TITÃS, SKANK, NANDO REIS, IRA, ED MOTTA E TANTOS OUTROS GRANDES NOMES DA MUSICA BRASILEIRA.


Como surgiu o convite pro Rock in Rio, e a ideia de dividir o palco com o Tambours du Bronx? 
NÓS TEMOS UMA HISTÓRIA COM O ROCK IN RIO, FOI NOSSO PRIMEIRO GRANDE FESTIVAL EM 1991, ABRIU AS PORTAS PARA O SEPULTURA NO BRASIL. DEPOIS FIZEMOS O DE 2001, E 2004 EM LISBOA, TODOS GRANDES SHOWS. NESTE ANO O ROCK IN RIO TROUXE O PALCO SUNSET QUE MISTUROU ARTISTAS NACIONAIS CONSAGRADOS COM ARTISTA EUROPEUS, FOI UM PALCO INOVADOR. FOMOS CONVIDADOS A FECHAR O DIA DO HEAVY METAL E TROUXEMOS O TAMBOURS DU BRONX, GRUPO PERCUSSIVO QUE CONHECEMOS NA FRANÇA HÁ ALGUNS ANOS E QUE PARTICIPARAM DO NOSSO ÚLTIMO DISCO, KAIROS. FOI UMA MISTURA QUE DEU MUITO CERTO E QUE VAMOS REPETIR NO PRÓXIMO ANO EM ALGUNS FESTIVAIS DA EUROPA.


Recentemente o Lobão disse que os músicos brasileiros são menosprezados nos festivais internacionais de música no Brasil. Qual sua opinião em relação a esse tipo de evento, você concorda com o Lobão?
NÃO DIRIA MENOSPREZADOS MAS O TRATAMENTO É DIFERENTE, PRINCIPALMENTE POR QUE A MAIORIA DOS MÚSICOS E BANDAS DO BRASIL NÃO SÃO CONHECIDOS FORA DAQUI. AS BANDAS DE FORA CONTAM COM EQUIPES MUITO EXPERIENTES QUE FAZEM SHOWS E GRANDES FESTIVAIS PELO MUNDO E TEM UMA MANEIRA DE TRABALHAR QUE DE VEZ EM QUANDO CHOCA COM DIFERENTES CULTURAS EM DIFERENTES PAÍSES. QUEM MANDA NO PALCO É O HEADLINER, OU SEJA, A ATRAÇÃO PRINCIPAL QUE TEM O SEU PALCO MONTADO E A GRANDE MAIORIA ESTA ALI PRA VER A BANDA PRINCIPAL. ALGUNS SÃO MAIS DUROS QUE OS OUTROS E POR ISSO ACONTECEM ESTES EMBATES.


O que você acha das bandas que satirizam o heavy metal?
ACHO NORMAL, O HEAVY METAL É UM DOS ESTILOS MUSICAIS MAIS INFLUENTES DO MUNDO E É NATURAL QUE ACONTEÇA ISSO, ACONTECE COM TODOS OS ESTILOS E O HM NÃO FICA DE FORA.


Se você pudesse participar de algum álbum da história do rock, qual seria? Por quê?
A NIGHT AT THE OPERA DO QUEEN, PRA MIM É A OBRA PRIMA DO ROCK, UMA MESCLA PERFEITA DE ROCK AND ROLL E MUSICA ERUDITA.


10- Para o Andreas Kisser, a vida é... (?)
O PRESENTE.



Agradecimento: Patrícia Kisser